A Eucaristia

03/04/2011 08:26

Na EUCARISTIA a ação do Espírito Santo é mais destacada ainda: É Ele que, por sua descida sobre os dons sagrados, torna-os fonte de graça e de santificação e transforma-os no Corpo e Sangue de Cristo.

Os Sacramentos, principalmente a Eucaristia, constituem o núcleo central da Liturgia Ortodoxa Siriana.

O Mistério de Deus não se reduz aos parâmetros da ciência humana. Para penetrar em seu íntimo, é preciso a sabedoria que vem do alto e que se fundamenta na fé.

Tendo uma compreensão clara e objetiva da doutrina ortodoxa, seremos cada vez mais livres para seguir o Cristo das Escrituras e nosso Salvador.

O preparo para a Santa Comunhão (Pe. Alexander)

Quando nós pensamos na grandeza da Comunhão, uma questão natural assoma à nossa cabeça: somos merecedores de receber Cristo em nós? Os Padres da Igreja dos primeiros tempos nunca sugeriram que um Cristão deveria refrear-se em tomar a Santa Comunhão por conta de seus sentimentos de não merecimento. Um dos documentos Cristãos mais antigos, a Didaque, diz, “se qualquer um for santo, que ele vinha receber [a Comunhão]; se ele não é, que se arrependa e venha.” Nós precisamos nos dar conta que nunca seremos merecedores de receber Jesus Cristo. A Comunhão não é uma questão de merecimento mas sim de misericórdia de Deus. Não é uma recompensa mas um presente de Deus! É adequado que nos sintamos não merecedores para que venhamos sempre a permanecer humildes e agradecidos a Deus.

No entanto, alguma preparação para participar da Eucaristia é necessária, pois ela nos ajuda a adquirir a atitude correta para com esse grande Sacramento. São Paulo escreve, “Examine-se pois o homem a si mesmo, e assim coma deste Pão e beba deste Cálice” (1 Cor. 11:28). Seguem algumas sugestões específicas para aqueles que desejam participar da Comunhão.

1. Auto-análise é algo a ser praticado regularmente por todo Cristão durante suas orações diárias e enquanto lê as palavras de Deu, e torna-se especialmente importante antes de alguém se aproximar do Cálice para receber a Comunhão. O propósito da auto-análise é nos conduzir a termos consciência de nossas faltas. Essa consciência leva-nos ao arrependimento e a uma melhoria.

2.Os Cristãos Ortodoxos fazem abstinência de carne e laticinios em praticamente todas as Quartas e Sextas feiras do ano(as exceções são as poucas semanas que se seguem a algumas grandes festas da Igreja). Durante um período de quaresma dever-se-ia abster-se desses produtos todos os dias.Quando se vai comungar,na noite anterior,não se come carne e com uma antecedencia de doze horas não se ingere nenhum alimento sólido nem nenhum líquido. No entanto, devemos lembrar que não existe conexão rígida entre jejum e Comunhão. Não devemos nunca permitir que uma ênfase exagerada no jejum venha a se constituir num muro que nos separe de Cristo Que deseja nos renovar. Não devemos nunca permitir que uma ênfase própria ainda que justa nas chamadas “regras do jejum” venham a destruir a importantíssima relação com Jesus Cristo. Os Padres da Igreja enfatizaram que o verdadeiro jejum é se abster do pecado e da malignidade.

3. O Livro de Orações Ortodoxo contém algumas orações escritas pelos Padres da Igreja que são designadas a serem lidas antes e depois da Comunhão. Todas essas belas orações contém o grito de humildade, imerecimento e penitência, como expresso nesse exemplo: “…Mestre e Senhor, não sou digno que entres sob o teto da minha alma, mas porque amas a humanidade, ouso aproximar-me de Ti: vem e habita em mim. Tu ordenaste: devo abrir as portas que Tu criaste de maneira a que Tu entres e ilumines o meu pensamento obscurecido. Creio ser este o Teu desejo…” Essas orações nos dão a atitude própria para a recepção da Comunhão.

4. Arrependimento. Devemos nos aproximar de Jesus Cristo com uma súplica por misericórdia e perdão. É a fé sincera e o arrependimento, e não a perfeição, que nos fazem dignos de Comunhão freqüente. Apesar de não ser necessário confessar-se antes de cada Comunhão, se se recebe a comunhão freqüentemente, é necessário no entanto que se procure o perdão através das orações. Cabe ao nosso padre confessor decidir com qual freqüência cada um deve confessar.

5. Perdão daqueles a quem nós ferimos de alguma forma deve ser procurado antes da Comunhão. Nós devemos nos aproximar do Altar “com temor de Deus, com fé e com AMOR.” Nós somos obrigados a compartilhar com outros o amor que perdoa que recebemos de Jesus Cristo. Amor é a única coisa que nós devemos orar por antes de chegar perto do Altar. Nenhuma hostilidade, ou rancor ou dissensão devem ser levadas para perto do Altar. Deve existir penitência por falta de amor. Assim, nós nos preparamos para a Comunhão com auto-análise, jejum, oração, arrependimento e perdão.

A coisa mais maravilhosa sobre o homem é que ele foi criado para conter Deus. Esse é o milagre dos milagres! Cada um de nós foi feito para ser um templo de Deus, um cálice dourado, um tabernáculo da presença de Deus. O Deus infinitamente grande Que Se revelou em Jesus Cristo como o grande Deus do amor espera por tomar residência em nós. Ele se posta na porta de nossa alma e bate até que ouçamos Sua voz e Suas batidas para abrirmos e deixar Ele vir e cear conosco no banquete celeste (Ap. 3:20). Ele não descansará enquanto não invadir nosso coração e dele fizer o Seu trono.

Portanto o Pão e o Vinho da Eucaristia não são simples sinais ou símbolos relembrando-nos a Última Ceia, como os protestantes pensam, mas são os verdadeiros Corpo e Sangue de Cristo, como o Salvador disse, “Porque a Minha carne verdadeiramente é comida, e Meu sangue verdadeiramente é bebida,” e, “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele.”

O sacrifício Eucarístico não é uma repetição do Sacrifício do Salvador na Cruz, mas é uma oferta do Corpo e Sangue sacrificados uma vez oferecido por nosso Redentor na Cruz. O sacrifício no Gólgota e o sacrifício na Eucaristia são inseparáveis, compreendendo um único sacrifício. Quando um Cristão recebe a Santa Comunhão, ele assimila o ato redentor que Jesus Cristo cumpriu na Cruz.

Na Comunhão nos unimos da maneira mais íntima com o Senhor. A Santa Comunhão nutre nossa alma e nosso corpo e ajuda nosso fortalecimento e crescimento da vida espiritual. Ela serve para nós como uma promessa da futura ressurreição e da vida eternamente bendita. Tudo isso nos lembra da necessidade de nos aproximarmos da Santa Comunhão com temor de Deus, fé e amor. Amém.

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