Comissão Teológica das Igrejas Ortodoxas Orientais e da Igreja Católica Romana

07/03/2011 19:01

Comissão Teológica das Igrejas Ortodoxas Orientais e da Igreja Católica Romana

 Papa Bento XVI e a Comissão Teológica das Igrejas Ortodoxas Orientais e da Igreja Católica Romana
(Vaticano, Roma, jan./2011)


 
Theological Commission of the Eastern Orthodox Churches and the Roman Catholic Church


“O Papa Bento XVI, em seu discurso, ressaltou a importância de se esforçar para avançarmo-nos no diálogo teológico para a plena unidade entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Igreja Católica Romana”

Este ano de 2011, nos dias 23 a 29 de janeiro, sob a presidência do presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, o Cardeal Kurt Koch da Igreja Católica Romana e do Metropolitano Anba Bishoy da Igreja Copta Ortodoxa, reuniu-se, em Roma, a Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico Ortodoxo-Católico entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Igreja Católica Romana. As Igrejas Ortodoxas Orientais são formada por um grupo das 4 (quatro) Igrejas Cristãs mais antigas do cristianismo primitivo que são, respectivamente, a Igreja Copta do Egito, a Igreja da Etiópia, a Igreja Sirian Ortodoxa e a Igreja Armênia.

A Igreja Sirian Ortodoxa, na pessoa de Dom Teófilo George Saliba, representando o patriarca Ignatius Zakka I, esteve presente. Dom Teófilo George é arcebispo do Monte Líbano e secretário do Santo Sínodo da Igreja Siríaca Ortodoxa.

No encontro, o arcebispo Sírio-Ortodoxo Dom Teófilo George Saliba apresentou um documento cujo texto retrata os contatos entre as Igrejas Cristãs dos primeiros séculos até o ano 451, a partir das ordens religiosas de tradição antioquina.

Em seu discurso, o arcebispo resaltou a importância da tradição antioquina, isto é da Igreja de Antioquia. Nesse período, estabelecia-se uma profunda relação com a Igreja-Mãe (Jerusalém) e havia contatos recíprocos e diretos e relações especiais, sem disputas, conflitos e interesses particulares. De acordo com o arcebispo, “Em Antioquia, coexistiram juntas as duas culturas: a cultura síria, por um lado, e a grega, por outro. À luz do Cristianismo duas culturas se encontravam unida”.

Depois de Pedro ir para Roma e ser lá martirizado em 67 d.C., e Evódios em 68 d.C., Santo Inácio de Antioquia (68-107 d.C.) foi escolhido para ser o patriarca (bispo) de Antioquia, dando um novo vigor entre os seguidores da Igreja de Antioquia.

 
Santo Inácio de Antioquia proporcionou ao cristianismo do Oriente, de modo especial, à Antioquia, um novo vigor missionário. Antioquia passou então a ser considerada a segunda capital da Igreja, depois de Jerusalém, tornando-se elo de ligação à maioria das Igrejas do Oriente e modelo cristão para todos os cristãos. Doravante, muitos bispos, padres e igrejas seguiram os exemplos da Igreja de Antioquia e dos seus ofícios litúrgicos, bem como os exemplos da vida monástica, apesar de pertencer às tradições, culturas e crenças variadas.
 

Arcebispo Sírio-Ortodoxo Dom Teófilo George Saliba

“Em Antioquia, coexistiram juntas as duas culturas: a cultura síria, por um lado, e a cultura grega, por outro. À luz do Cristianismo, duas culturas se encontravam unida, disse o arcebispo Sírio-Ortodoxo Teófilo George Saliba ”

Na terça-feira, 25 de janeiro, o papa Bento XVI reuniu-se com representantes das Igrejas Ortodoxas Orientais e da Igreja Católica Romana, em uma sessão especial. Durante à tarde, participou juntamente com todos os membros do Comitê para uma oração ecumênica. A oração foi presidida por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, dando início a celebração da Semana de Oração pela unidade das igrejas, na Basílica de São Paulo Fora dos Muros em Roma.

Na oportunidade, o Papa Bento XVI, dirigindo-se à Comissão Mista Internacional para o Diálogo Teológico, lembrou dos grandes esforços realizados pela Comissão desde sua criação em 2003. Em 2009, ano que marcou a primeira fase do diálogo teológico, esta Comissão elaborou-se um documento intitulado “A Natureza da Igreja, a sua Constituição e a sua Missão". Este documento trata dos aspectos dos princípios eclesiais questões básicas que devem ser aprofundadas durante as próximas fases do diálogo teológico.

Bento XVI observou que essa reunião dos membros do Comitê Internacional em Roma tem o objetivo de aprofundar as relações que existiam entre as igrejas cristãs dos primeiros séculos do cristianismo até meados do século V dC, além do importante papel desempenhado pelos místicos na vida da Igreja de ambos os lados.

O Papa continuou o seu discurso, ressaltando a importância de se esforçar para avançarmo-nos no diálogo teológico para a plena unidade entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Igreja Católica Romana, principalmente, nesse período que celebramos a Semana da Oração pela Unidade dos Cristãos. De acordo com Bento XVI, "Temos de estar confiantes de que sua reflexão teológica vai levar as nossas Igrejas, não só para compreender o outro mais profundamente, mas resolutamente para continuar nossa jornada decisiva rumo à plena comunhão a que somos chamados pela vontade de Cristo".

Autor: Padre Celso Kallarrari