Dormição e Assunção de Maria

03/04/2011 08:08

Domingo passado, dia 15 de agosto,  as Igrejas Católica e Ortodoxas, em seu conjunto, celebraram a festa da Assunção ou dormição de Maria. Na Igreja Síria-Ortodoxa chamamos a Festa da Assunção ou Dormição de Maria de Xunoi Dioldath Aloho. Ela é elevada por Cristo aos céus. Em Jerusalém, por exemplo, católicos e ortodoxos saem em procissão até o Sepulcro da Mãe de Deus, Teotokos.

Num mundo marcado pela divisão do cristianismo cristão entre Oriente e Ocidente, Maria reúne seus filhos a sua volta, local da sua assunção aos céus. Na festa da Assunção, reúnem-se os ortodoxos grego, os Armênios, os Coptas e os Sírios e os católicos romanos.

A assunção de Maria marca, profundamente, a escatologia dos últimos tempos, onde acontecerá, de fato, a ressurreição do corpo que se unirá a alma no céu.  Nenhum outro santo cristão teve o privilégio que Maria teve: ser elevado em corpo e alma para o céu. Tanto Católicos Romanos quanto Católicos Ortodoxos possuem seus sacramentos válidos, amam Nossa Senhora, reconhecem, mutuamente, sua Assunção aos céus e que ela é a Teotokos, isto é, a Mãe de Deus.

Em Jerusalém, a Igreja Sirian Ortodoxa tem um lugar reservado na tumba de Maria. Nesse lugar, celebra-se constantemente a Santa Missa na língua de Jesus (o aramaico). Há uma diferença das festas da Igreja do Oriente e do Ocidente porque os calendários são diferentes. No Oriente, entre os ortodoxos, conserva-se o calendário antigo (Juliano), enquanto no Ocidente, na Igreja Romana, o novo (Gregoriano). Nesse ano, não só a sexta-feira Santa e a Páscoa foram celebradas juntas entre Católicos Romanos e Católicos Ortodoxos, mas a festa da Assunção de Maria.

Em Homs, na Síria, os cristãos ortodoxos sírios reuniram-se na Catedral de Nossa Senhora do Cinto. Nesse lugar, conforme a tradição, é conservada um cinto de Maria que o apóstolo Tomé tinha recebido no momento da Assunção da Virgem. O texto que segue é de S.S. Inácio Zakka I, patriarca Sírio-Ortodoxo: “Segundo a tradição, a Virgem subiu ao céu. A questão que se coloca é: a morada de sua alma equivale a dos santos, justos e devotos? Ou será que ela subiu ao céu de alma e corpo? Sua assunção ao céu em seu corpo glorificado não é algo irrelevante para o Espírito Santo do Livro Sagrado, nem à tolerância cristã das verdades confessionais. Se ‘Enoque andou com Deus e ele não foi encontrado, pois Deus o tomou’ (Gn 5:24) e Elias, o profeta subiu ao céu em uma carruagem de fogo (2 Reis 2:11) não seria também levada ao céu a Virgem Maria, que teve o Senhor nove meses em seu ventre, deu-Lhe à luz e O amamentou, sendo considerada digna de ter seu corpo mantido sem corrupção e de tê-lo transformado em um corpo espiritual, sendo levada ao céu em corpo e alma, a fim de gozar das bem-aventuranças ao lado de seu amado filho Jesus Cristo?’

St. Jacob do Serugh, o médico (521) assim se expressou em seu Memre em siríaco, sobre a morte da Virgem Maria, ‘Quando a virgem estava em seu leito de morte, os Anjos, os justos, os profetas e os pais do Antigo Testamento, desceram do alto pela ordem de Deus. Também vieram os doze Apóstolos e Evangelistas… eles a enterraram em uma caverna rochosa. A Glória prevaleceu no céu e na terra, quando os anjos viram sua alma subindo e voando para residências das luzes’. O livro atribuído a Dionísio, o Areopagita, bispo de Atenas, (95) relata que no momento da Dormição de Maria, todos os apóstolos vieram dos quatros cantos da terra com estranha velocidade e se reuniram acerca dela. Quando chegaram em Jerusalém, cidade onde a Virgem Santíssima morava, Jesus veio com os seus anjos. Então, Jesus recebeu sua alma e entregou-a Miguel, o Arcanjo.

No dia seguinte, os Apóstolos colocaram o corpo em uma cova e guardavam o túmulo na espera que o Senhor aparecesse. Jesus apareceu mais uma vez e transferiu o seu corpo sagrado para o céu em uma nuvem. No céu, seu corpo uniu-se à sua alma, a fim de desfrutar da alegria eterna”.

A caminhada da Igreja, especialmente na nossa época, está marcada pelo sinal do Ecumenismo. É Maria que faz com que nossas igrejas “se unam pacificamente num só rebanho e sob um só pastor” (Redemptoris Mater). Maria é fonte de unidade cristã entre Católicos Romanos e Católicos Ortodoxos. Esta unidade não é apenas um sonho de poucos, mas uma realidade que se constrói a cada dia. A Igreja na sua dimensão espiritual jamais poderá ser dividida. “Pode-se, acaso, dividir Cristo?”, dizia Paulo (1 Cor 1, 13). Nós, homens, podemos dividir a Igreja no seu elemento humano e visível, mas não a sua unidade profunda que se identifica com o Espírito Santo. A túnica de Cristo não foi e não poderá ser dividida (Jo 19, 24b). É a fé que professamos no Credo: “Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica“. De fato, essa unidade vai ser um sinal para as Igrejas, para o mundo. Ela foi perdida, mas, em breve, vai ser recuperada. Devemos orar constantemente por ela.

Autor: Padre Celso Kallarrari, ISO

Publicado originalmente em: Jornal Regional, 2010

http://www.cssmd.com.br/site/index.php/a-assuncao-de-maria/