Sexo não é pecado quando é praticado dentro de um contexto sagrado.

13/02/2011 17:04


Sexo não é pecado quando é praticado dentro de um contexto sagrado.


Poucos temas são tão suceptiveis de melindres quanto o sexo.
Simplesmente por inserir no titulo do artigo a palavra "sexo",  isso deve ter melindrado alguem.
E esse melindre é um bom tema para ser tratado.
A imagem negativa da sexualidade na cristandade ocidental remonta a pelo menos a Agostinho, que reagiu as suas próprias transgressões na juventude com uma aridez maniqueísta , e esta acabou filtrado as posições latinas sobre o tema, causando um impacto de tal modo abrangente, a ponto de influenciar as doutrinas sobre o pecado original, o celibato clerical e o controle de natalidade.
O Cristianismo oriental, pelo contrário, não ve o sexo como inerentemente profano.
Claro, podemos já de antemão determinar, e nisso esclarecer já de pronto para os homossexuais, que quando estamos falando de sexo, devemos lembrar que Deus criou Adão e Eva e não Adão e Steve.
De todo modo, nós não devemos  ignorar o fato de que Deus não se limitou a criar Adão, pois se o sexo fosse inerentemente contaminado, O Bom Deus nos criaria capazes de  se reproduzir assexuadamente, como ocorre com os caracóis.
Longe de tal puritanismo, o Gênesis refere-se a obra de Deus por nove vezes como "boa".
O primeiro item  "não é bom" se refere ao homem  ter de ficar sozinho.
Deixando pouco espaço para a sutileza, Deus diz ao novo par para "Sede fecundos e multiplicai-vos".
E Ele diz isso antes da ocorrencia do pecado, de modo nenhum argumento honesto pode  reivindicar que o sexo é simplesmente uma manifestação da queda.
No entanto, desde que o mundo decaiu, o sexo tornou-se sujeito à corrupção.
Provavelmente a melhor definição de idolatria que eu ouvi é a seguinte : "o culto de algo que é bom e não Ao Deus que fez isso ser bom." 
Dada a quantidade de tempo, esforço e atenção que dedicamos ao sexo, ele se tornou um dos ídolos mais cultuados em nossa cultura. 
Tratar o tema como um tabu não corresponde ao ensinamento cristão responsável. Contudo, as "progressistas" tentativas de compensar o puritanismo histórico "afirmando que tudo é permitido desde que haja consentimento mútuo",é uma política igualmente distorcida.
O Oriente deu ao Cristianismo o monaquismo, mas os nossos párocos são geralmente casados.
Nós veneramos a Virgem Maria, mas também comemoramos a  Sua Conceição advinda de Joaquim e Ana (No ícone que ilustra esse artigo, temos  uma cama).
Estas não são contradições, mas sim afirmações coerentes sobre um tema comum : a castidade.
A sexualidade casta se realiza em um contexto específico, e a Igreja oriental considera e reconhece este apenas no casamento heterossexual monogâmico.
As mentes iluministas, sem dúvida vão repelir esta percepção, mas tenha em mente que, na tradição oriental, a homossexualidade  é condenada da mesma forma que é o sexo pré-marital ou extraconjugal (fornicação e adultério, para se evitar eufemismos) .
Na verdade, biblicamente falando, o  adultério é o símbolo por excelência da apostasia e traição de vinculos sagrados. Os defensores do homossexualismo têm razão em apontar que há hipocrisia quando são ignorados como pecado os abusos de crianças e as escapadas extraconjugais  que grassam entre os cristãos.
Há e sempre houve padres, monges, bispos e até mesmo santos que tiveram que lutar contra a atração por membros do mesmo sexo.
Contudo, estes homens e mulheres crentes foram mais zelosos do que eu um dia possa vir a ser, dado o grau de dificuldade da sua luta.
É preciso determinar, que mesmo dentro do casamento, não há livre licença  para fazer o que se quiser e quando quiser.  Daí que qualquer coisa, mesmo no casamento, conquistado pela  força e coação são atos de exploração, que só pode levar à divisão, ao invés de união. Estupro é estupro.
A monogamia também está relacionada a questão de pensamento,  como  bem determina a Escritura.
Logo, a  "pornografia mental " viola o leito conjugal, e inclui não só a pornografia convencional, mas as lembranças de uniões com parceiros anteriores também.
Estas imagens destrutivas podem vir espontaneamente, o que deve  explicar os estudos que indicam que as os virgens têm relações melhores do que aqueles que entram casamento com entalhes já esculpidos em suas mentes.
Tal como acontece com comer e beber, a temperança sexual não se destina a impedir as pessoas de ter prazer, mas  sim compreender que a  real alegria do sexo está no  libertar-se da escravidão das paixões.
O sexo então não deve ser meramente lícito. Ele deve ser sagrado.

Presbítero Barnabas Powell

http://cetroreal.blogspot.com/2011/02/sexo-nao-e-pecado-quando-e-praticado.html