Unção dos enfermos

10/06/2010 06:16

 

 

A unção dos enfermos não é exclusivamente, nem principalmente, o sacramento dos moribundos. Por isso deve-se por de lado a expressão infeliz de extrema-unção, mas chama-lo como sempre o foi na tradição oriental.Atitude de Cristo para com a doença e os doentes Cristo nunca esteve doente: sendo a doença, uma conseqüência do pecado original, Cristo que se revestia de todas as nossas misérias, exceto o pecado, não podia estar sujeito a ela. Mas esse fato não impediu de ser, para os enfermos, modelo perfeito da paciência e coragem no sofrimento, durante sua paixão voluntária, aceita por obediência ao Pai e por amor para conosco. Além de não conhecer a doença, Cristo tratou-a como inimiga: e essa atitude está perfeitamente de acordo com seu amor pelos enfermos: afluíam por onde ele passava, assaltavam-no, a ponto de impedirem de comer; tudo isso porque Jesus curava-os em grande número. Nunca Jesus beatificou a doença e jamais declarou que, para este ou aquele, ela era castigo do pecado. Pelo contrário a respeito do cego de nascimento, disse aos seus discípulos: "nem este pecou, nem os seus pais". Simplesmente tinha compaixão dos doentes e curava-os com uma única condição: desejar ser curados e acreditar em seu poder. Por vezes, acrescentava o perdão dos pecados e o convite a não pecar mais. É que, embora não haja ligação necessária entre tal doença e tal pecado, existe certamente ligação entre a doença e o pecado: ambos são obra do demônio. Entre os vários poderes e funções que Jesus encarregou os apóstolos de exercer após a sua partida, figura em lugar de relevo a cura dos enfermos. Lê-se até em São Marcos que, já na altura da primeira missão, os discípulos "expulsavam muitos demônios, ungiam com óleo numerosos doentes e curavam-nos" (Mc 6,13).Promulgação do sacramento da Unção dos EnfermosComo os outros sacramentos, também este foi instituído por Jesus Cristo. Sua promulgação, conhecemo-la pela epistola de São Tiago, que é um resumo dos principais deveres da vida cristã. Nela há um trecho, no qual se viu a promulgação da unção dos enfermos. Ei-lo: Algum de vós esta enfermo chame os presbíteros da igreja e que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará. Se ele cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados(Tg 5,14-15). Nesse texto, encontramos todos os elementos essenciais da doutrina cristã sobre a unção dos enfermos.Em primeiro lugar, quem dela se beneficia: os doentes e não os moribundos. "Algum de vós está enfermo? Chame os presbíteros da Igreja". É o doente que deve chamar os sacerdotes, porque esse sacramento exige um pedido espontâneo; não se trata de um remédio magico, que o sacerdote venha ministrar a um doente que está nos últimos momentos.

Os ministros do sacramentos são os sacerdotes da Igreja. A matéria é a unção com o óleo, que, na antigüidade, era o remédio por excelência. A tradição juntou ao óleo a sua benção feita pelo sacerdote nos seguintes termos: Senhor, que em vossa bondade e misericórdia sanais as feridas de nossas almas e de nossos corpos, santificai este azeite, dando-lhe a virtude de curar, nos que com ele forem ungidos, todas as dores e enfermidades corporais, de purificá-los de todas as impurezas do corpo e da alma e de livrá-los de todos os males... São Tiago aponta também a forma do sacramento: "E que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor". De fato, a unção com o óleo é acompanhada da seguinte prece:Pai santo, médico das almas e dos corpos..., pela graça de vosso Cristo, livrai este vosso servo da enfermidade corporal e espiritual que o atormenta e vivificai-o pela graça de vosso Cristo, segundo o vosso beneplácito... Há ainda outras orações que precedem e seguem as unções constitutivas da essência do sacramento, mas essas orações não pedem senão uma coisa: a cura do enfermo e seu retorno à vida normal. Nem uma palavra sobre a agonia, a morte ou o juízo. Que dolorosa ironia recitar essas orações impregnadas de esperança sobre um doente chegado aos últimos momentos! São Tiago indica também os efeitos do sacramento: "A oração da fé salvará o enfermo e o Senhor o aliviará; e se cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados". O efeito primário do sacramento é, pois, a cura corporal do enfermo; o segundo efeito é a remissão dos pecados.O costume imemorial e universal da Igreja opõe-se, alias, a que a unção dos enfermos tenha por fim essencial a purificação dos pecados e seja, por conseqüência o sacramento dos moribundos. Esse sacramento deve ser administrado àqueles que estão que estão seriamente enfermos a ponto de haver perigo, não imediato, mas provável, de morte. Nunca, porem, se administrou esse sacramento a condenados a morte, a náufragos, a soldados que partem para frente de batalha: vão, talvez, morrer, mas não estão doentes. O sacramento não é para esses. Por outro lado, pode renovar-se esse sacramento, tantas vezes se caia em nova doença mortal. Finalidade da Unção dos Enfermos O sacramento da unção dos enfermos tem, pois, por fim, se acreditarmos no texto fundamental de São Tiago, salvar, aliviar, restabelecer o enfermo.Estando a doença profundamente ligada ao pecado e a alma e o corpo intimamente unidos, a unção produz, ao mesmo tempo, efeito sobre a alma e completa os efeitos espirituais do sacramento da penitencia. Se nem sempre dá a saúde ao corpo - o que acontece mais vezes do que se acredita, conforme pode testemunhar médicos e enfermeiras -, dá-lhe calma e purifica-o interiormente. Santifica o estado do enfermo e permite que a doença se torne mais meritória. É preciso, pois, administrá-la o mais cedo possível a qualquer enfermo, cujo o estado implique perigo provável ainda que longínquo, de morte procedendo de outro modo e administrando-se o sacramento no ultimo instante, priva-se o doente daquele conforto que a misericórdia de Cristo para ele preparou.